domingo, 13 de fevereiro de 2011

Um dia conseguiremos ver um átomo?

Imagem de movimento atômico é gerada por microscópio eletrônico. Esses equipamentos registraram as interações do átomo com os elétrons do microscópio. Foto: Saw-Wai Hla/Universidade de Ohio/Divulgação.
  
       O questionamento, frequente entre estudantes e por quem se interessa por física, é relativo. Primeiro, porque vemos átomos o tempo todo, já que todas as coisas são feitas de átomos. Porém, ver um átomo isoladamente é impossível.
        Segundo Luiz Sampaio, membro do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas do Ministério da Ciência e Tecnologia, o conceito de "ver" que temos do nosso cotidiano requer que um objeto reflita a luz e que ela venha até nossos olhos. "Quando vejo um carro na rua é isso que acontece. Mas se o objeto for muito pequeno, precisaremos de uma lente, pode ser simplesmente um óculos ou uma lente de microscópio, mas ainda assim o processo é o mesmo, vejo, enxergo porque a luz refletida pelo objeto vem até meus olhos", explica.
        Mas diminuindo ainda mais o tamanho do que se quer ver, vamos ter problemas. Primeiro, porque a luz é uma onda e tem oscilações, chamadas de comprimento de onda. A oscilação de uma onda é de 0,6 micrometros se a luz for vermelha e de 0,4 micrometros se for azul.
"Se o objeto for do tamanho do comprimento de onda, ou menor, a "reflexão" é complicada, é completamente difusa, e a imagem do objeto se "perde", e não pode ser obtida. Ou seja, existe um limite mínimo de quanto posso ver, mesmo com lente, utilizando uma luz para a iluminação. Mas sei que se usar o azul este limite é menor do que se utilizar o vermelho", diz Sampaio.

A alternativa

        O físico coloca como alternativa o uso de elétrons, que também se comportam como ondas, ao invés de luz. De acordo com sua energia, elétrons podem ter um comprimento de onda de 0.0025 nm, ou 0,0000025 micrometros, bem menor do que o azul ou o vermelho. "Ou seja, se usarmos elétrons teremos um limite muito menor, poderemos "ver" objetos muito menores. Só pra ter uma ideia, a distância entre átomos em metais é da ordem de 0,3 nm", esclarece.
Um microscópio que usa elétrons para iluminar é chamado de microscópio eletrônico e, com a vantagem de poder manipular os elétrons com campos elétricos e magnéticos, é possível obter a funcionalidade de uma lente, inclusive com foco.
        Uma das variantes desta tecnologia é o microscópio eletrônico de tunelamento, que funciona com uma corrente elétrica fornecida a uma sonda, enquanto um scanner move a sua ponta rapidamente pela superfície de uma amostra condutora. Quando a ponta encontra um átomo, o fluxo de elétrons entre o átomo e a ponta muda, e um computador registra esta mudança com a posição x,y do átomo.
        O scanner continua posicionando a ponta sobre cada ponto x,y da superfície de amostra, registrando uma corrente para cada ponto. Por fim, o computador coleta os dados e desenha um mapa da corrente sobre a superfície que corresponde a um mapa das posições atômicas.
        Então a conclusão é que podemos ver um átomo? "Não é bem assim porque a iluminação com elétrons não é simples tal como ocorre com a luz. Os elétrons interagem com os átomos e o que temos no detector é uma representação do átomo. E de acordo com a técnica podemos ter diferentes representações, e com elas temos informações diferentes do átomo", diz o físico.
       Para ele, os avanços tecnológicos não devem mudar esta realidade. "As microscopias avançarão, ficarão mais sofisticadas, mais precisas. Mas sempre teremos representações do mundo atômico segundo o tipo de interação que utilizamos para inferir. O "ver" é uma imagem segundo essa interação. Talvez no futuro seja possível obter imagens do interior do átomo e de suas partículas elementares. Mas será uma imagem segundo algum tipo de interação que se desconhece. De qualquer forma, esta imagem será diferente da noção que temos de "ver", completa.
 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Foguete brasileiro leva experimentos científicos ao espaço


O foguete de sondagem brasileiro VSB-30 foi lançado com sucesso neste domingo (12/12/2010), do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).
Programa Microgravidade
                O principal objetivo do lançamento foi levar experimentos científicos, tecnológicos e educacionais a um ambiente de microgravidade. A carga útil do foguete foi recuperada depois de sua reentrada.
                O VSB-30 foi lançado às 12h35, atingiu um apogeu de 242 quilômetros e um alcance de 145 quilômetros. O tempo de voo foi de 16 minutos e o foguete permaneceu um pouco mais do que cinco minutos em ambiente de microgravidade. "Todos os objetivos da operação foram atingidos. Conseguimos lançar, rastrear e recuperar a carga útil do foguete com sucesso", afirmou o coordenador da Operação Maracati II, Cel. Eudy Carvalhaes. A carga útil do foguete foi composta por projetos aprovados no Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB), que tem o objetivo de viabilizar experimentos nacionais em ambiente de queda livre, onde se experimenta a aparente falta de peso.
A recuperação da carga útil do VSB-30 foi parte crucial da campanha,
já que, dos dez experimentos que voaram, sete precisavam da recuperação 
das amostras para serem estudados. [Imagem: Edson Haruki/AEB]

Projetos de Microgravidade
Veja quais foram experimentos científicos, tecnológicos e educacionais aprovados no Programa Microgravidade da AEB e que voaram no VSB-30.
1.        Estudo do Efeito da Microgravidade sobre a Cinética da Enzima Invertase (FEI) de São Paulo
                A intenção deste projeto é testar a ação da enzima invertase em diferentes concentrações de sacarose, de tal forma que seja possível levantar a curva velocidade da reação.

2.        Nanotubos de Carbono (FEI) de São Paulo
                Projeto com objetivo de observar a deposição de um filme de nanotubo de carbono sob microgravidade, de modo a determinar, precisamente, o que pode ser atribuído à gravidade e o que deve estar sendo causado por outras variáveis, como correntes de convecção no líquido onde estão imersos os nanotubos livres, ou ainda pH e condutividade, entre outros fatores.

3.        Influência da Microgravidade na Solidificação da Liga Eutética Chumbo e Telúrio (PbTe) (Inpe).
                O experimento pretende estudar a solidificação de uma liga eutética - uma liga na qual a temperatura de fusão é menor do que a dos componentes isolados - em ambiente de microgravidade, na ausência de convecção natural e sedimentação.

4.        Solidificação de uma Liga de Chumbo, Estanho e Telúrio (PbSnTe) em Microgravidade (Inpe)
O estudo permitirá melhorar a homogeneidade da liga pela eliminação dos fluxos convectivos dependentes da gravidade.

5.        Minitubos de Calor em Microgravidade (TCM) (UFSC)
                Tubos de calor têm sido rotineiramente utilizados para o controle térmico de veículos espaciais, visando principalmente viabilizar o funcionamento dos equipamentos eletrônicos, mantendo-os dentro de suas faixas pré-estabelecidas de temperatura.

6.        Espalhadores de Calor para Resfriamento de Componentes Eletrônicos em Satélites (UFSC)
                O objetivo é a verificação e a posterior qualificação deste dispositivo para aplicações em microgravidade. Estes dispositivos de pequeno porte têm o papel de dissipar o calor e homogeneizar a temperatura de equipamentos eletrônicos.

7.        Câmara de Ebulição sob Microgravidade (UFSC)
                O objetivo do experimento foi analisar os mecanismos de ebulição nucleada (promover formação de bolhas em um ponto) sob microgravidade com a simulação das condições com confinamento e sem confinamento do fluido n-Pentano sobre um disco horizontal.

8.        Experimentos Educacionais em Microgravidade (EEM)
                Os experimentos foram desenvolvidos por alunos dos anos finais (sexto ao nono ano) das escolas municipais de São José dos Campos (SP). O módulo de experimentação, sob a designação geral Experimentos Educacionais em Microgravidade (EEM) inclui três experimentos: Interação entre as Forças Magnética e Gravitacional (IMG) (interação entre imãs); Sistema Massa-Mola (SMM) (objeto preso por uma mola) e Sistema Massa-Corda (SMC) (pêndulo).

9.        GPS para Aplicações Aeroespaciais (GPS-AE) (UFRN)
O principal objetivo do experimento é avaliar o desempenho do receptor de GPS quando submetido a grandes velocidades e acelerações. Grandes velocidades, como a de um foguete, imprimem um alto efeito doppler ao sinal recebido dos satélites - o comprimento de onda observado é maior ou menor conforme uma fonte se afasta ou se aproxima do observador.

10.     Foguete VSB-30
                O VSB-30 é um foguete de sondagem brasileiro. Ele possui dois estágios, mede aproximadamente 12,6 metros e utiliza propelente sólido. Para experimentos em ambiente de microgravidade, o VSB-30 permite que a carga útil permaneça cerca de seis minutos acima da altitude de 110 km, sem resistência atmosférica, sem acelerações dos propulsores e em queda livre. Ele é o único foguete de sondagem brasileiro qualificado.
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=foguete-brasileiro-experimentos-cientificos-espaco&id=010130101213



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Antimatéria é capturada pela primeira vez

            Uma equipe internacional de cientistas conseguiu pela primeira capturar átomos de antihidrogênio - a antimatéria equivalente ao átomo de hidrogênio. "Esta é uma realização fenomenal. Ela vai nos permitir fazer experimentos que resultarão em alterações dramáticas na visão atual da física fundamental ou na confirmação daquilo que nós já damos por certo," afirmou Rob Thompson, membro da colaboração ALPHA, instalada no CERN, na Suíça.
            A corrida pela captura da antimatéria já durava 10 anos, em uma disputa entre as equipes ALPHA, que utiliza os laboratórios do CERN, e ATRAP, sediada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A equipe ALPHA tem atualmente mais de 40 membros, de 15 universidades ao redor do mundo, incluindo os brasileiros Cláudio Lenz César, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Daniel de Miranda Silveira, atualmente no Laboratório Riken, no Japão.
O ímã octupólo foi fundamental para aprisionar os átomos de antihidrogênio,
tirando proveito de seus pequenos momentos magnéticos, já que o 
antihidrogênio não tem carga. Esta versão simplificada mostra como os 
pólos norte e sul de ímãs estrategicamente dispostos podem imobilizar
um átomo neutro de antihidrogênio, cujo momento magnético equivale a 
uma minúscula barra magnética.[Imagem: Katie Bertsche]

Tanque de antimatéria

            A quantidade de antimatéria aprisionada ainda é pequena, e não seria suficiente para alimentar os motores da nave Enterprise e nem para ameaçar o Vaticano, como no filme Anjos e Demônios. Mas é o suficiente para que os cientistas comecem a estudar aonde foi parar a antimatéria que se acredita ter sido criada no Big Bang. Foram aprisionados 38 átomos de antihidrogênio no "tanque de antimatéria" criado pelos cientistas, cada um deles ficando retido por mais de um décimo de segundo. O resultado foi obtido depois de 335 rodadas do experimento, misturando 10 milhões de antiprótons e 700 milhões de pósitrons.
            O rendimento no aprisionamento dos átomos de antimatéria ainda é baixo - por volta de 0,005% - mas os cientistas afirmam que estão trabalhando para elevá-lo. Na verdade, o artigo que descreve a pesquisa apresenta uma série de inovações que tornaram possível a realização do experimento - a maioria das quais mereceria um artigo científico à parte. Em um experimento não diretamente relacionado, realizado em 2005, um grupo de físicos conseguiu criar o positrônio, um átomo exótico, feito de matéria e de antimatéria: um elétron e um pósitron (anti-elétron) ligados um ao outro, mas sem um núcleo.

sábado, 27 de novembro de 2010

Dicas para Candidatos do PAS - UNB

ATENÇÃO: As informações contidas neste texto são válidas para os candidatos das três etapas da Avaliação Seriada, salvo de um pequeno detalhe a respeito dos itens do tipo D, que não será necessário um desempenho mínimo de 20% para os candidatos da 2o e 3o etapas.

Data da realização:
1o  Etapa - 4 de Dezembro - Início 14h:00 - (4 horas de duração)
2o  Etapa - 5 de Dezembro - Início 14h:00 - (4 horas de duração)
3o  Etapa - 5 de Dezembro - Início 14h:00 - (5 horas de duração)

Tipo A (questões de CERTO e ERRADO)
  • Itens coincidentes com o gabarito:      +X
  • Itens que divirjam com o gabarito:      -X
  • Deixada em branco:                               0
“Uma errada anula uma certa”

Tipo B (Questões com resultados numéricos)
Sua resposta deverá contemplar valores entre 000 a 999. Todos os algarismos — das centenas, das dezenas e das unidades — devem ser obrigatoriamente marcados na folha de respostas, mesmo que sejam iguais a zero.
  • Itens coincidentes com o gabarito:        +2X
  • Itens que divirjam com o gabarito:          0
  • Deixada em branco:                                  0
“Não existe fator de correção o candidato deverá chutar sempre”

Tipo C (Questões de múltipla escolha A,B,C e D)
Haverá apenas uma alternativa correta dentre as quatro.
  • Itens coincidentes com o gabarito:     +2X
  • Itens que divirjam com o gabarito:     -2/3X ou 66% de X
  • Deixada em branco:                              0
“Aconselho a chutar caso você já tenha eliminado alguma das alternativas, pois a cada três questões deste tipo erradas anularia “apenas” dois itens do Tipo A ou uma questão do Tipo B”.

Tipo D (Questões discursivas)
  • Fator de correção:      0 a 3X (dependerá da concordância com o gabarito)
  • Deixada em branco:   0
“Não existe fator de correção o candidato deverá chutar sempre”

OBSERVAÇÃO: O candidato deverá ter um desempenho mínimo de 20% no conjunto dos itens do Tipo D ao longo das três etapas para não ser eliminado do PAS Subprograma 2010. 

Redação
Será aplicada apenas para os candidatos da terceira etapa do SUBPROGRAMA 2008 e será exigida um desempenho mínimo de 30% em relação ao valor total que é de 10 pontos. A redação é eliminatória e não contribui para o argumento da prova. Atingir a pontuação mínima é extremamente necessário para não ser elimininado. 

Outras dicas importantes:

Só será permitido o uso de caneta esfereográfica de tinta preta fabricada com material transparente, não será permitido ao candidato o uso de lápis e borracha.

Segue abaixo uma figura exemplificado uma folha de resposta bem como a sua correta marcação.



Após todas estas dicas só resta desejar boa prova a todos os canditados, mas em especial ao meus alunos que são meus pupilos e que permitiram ao longo do ano a execução do meu trabalho.
Eu amo vocês demaisssssssss!

Mais esclarecimentos você irá encontrar no link abaixo: